23 de maio de 2012
SENTIDOS
Dispersei versos por ai...
Voei e fui feliz, um longo caminho percorri...
Vozes e faces carrancudas me arrancam do torpor
Aterrizei num mundo de pessoas civilizadas que não sonham mais...
A poesia ficou ridícula, os homens não apreciam, são máquinas em busca de dinheiro
Cabisbaixa segui e tropecei num menino que cantava e sorria.
Esqueci os homens-maquinas e voltei a ter sonhos de pássaros e crianças.
4 de agosto de 2011
III SEMANA DO FOLCLORE SERRA DA MESA
O Memorial Serra da Mesa promove de 7 a 11 de Setembro, a III Semana do Folclore. O evento receberá grupos culturais do norte goiano e de várias partes do Brasil.
O Encontro de Folias, Festival de Piadas, Rodas de Prosa, Fiando e Cantando com as Fiandeiras locais e de Alto Horizonte, Zé Capeta e Glória Berranteiros, Casamento Caipira, Viola Afinada, Chimite, Dança do Passarinho, Gastronomia da roça, Feira de artesanato, Oficinas de moagem de cana-rapadura-melado, Cavaleiros de Santana, Congo Santa Efigenia, Pedro Serra da Mesa e apresentações das escolas municipais, estaduais e universidades da região.
Entrada grátis, paga o que consome.
Area de camping para alugar - fone 6281301136
memorialserradamesa@gmail.com
22 de janeiro de 2011
Qual será o dia do indio?
Para falar do indígena começo com esse pensamento de Orlando Villas Boas.
"Em vez de querer ensinar aos índios, o homem branco deveria ter a humildade para aprender com eles que o velho é o dono da história, o homem é o dono da aldeia e a criança é a dona do mundo".
Na minha pouca convivência com indígenas aprendi lições que me acompanharão sempre: de como o índio sabe conviver com a terra, o meio ambiente e com o próximo.
Embora se diferenciem no modo de falar , pintar o corpo e outros detalhes, os indígenas em todo planeta têm em comum o respeito pela criança, pelo velho e a vivência em grupo onde as decisões são coletivas.
Qual será o dia do índio, quando eles serão reconhecidos como a nação que tem lições para o homem que se diz civilizado e arrasa com a natureza?
Ano de 2009 e o homem branco continua com as ações impensadas contra o índigena e o meio ambiente.
O avanço da tecnologia e o capitalismo a cada dia mais empurram o índio, os bichos para um abismo sem volta.
Todos os dias devem ser lembradas as lições do krahô, do korubo e tantos outros que vivem ainda em pequenos torrões de terra amedrontados com um futuro que está nas mãos do homem branco.
Amanhã se comemora o dia do índio, e nada melhor para refletir sobre sua situação com o texto que transcrevo aqui do indigenista Walter Sanches:
"Os índios Avá-Canoeiro, habitantes da região de Serra da Mesa, norte goiano, compõem atualmente uma família de seis pessoas. Eram quatro, quando em julho de 1983 renderam-se aos fazendeiros locais. Perseguidos e dizimados, a sina dessa Etnia coloca hoje seus sobreviventes em circunstância atípica entre os demais e não menos aviltados povos indígenas brasileiros.
Em 1990, quando cheguei para trabalhar no Posto Indígena de Atração Avá-Canoeiro, encontrei-os – quatro adultos e duas crianças – comendo açúcar cristal em panelas de alumínio e bebendo óleo de soja em copos de vidro, deliciados com as recentes descobertas gastronômicas e das quais ainda não haviam assimilado a prudência do uso.
No posto da FUNAI existia um fogão à gás, e as mulheres, não raro, detinham-se diante dele, acariciando o bujão e sonhando ter um igual na “oca”. “Este fogo bonito, bom muito!” - murmuravam diante da chama azul. Iawí, único homem adulto do grupo (o outro era Trumak, seu filho, de 3 anos) sonhava, por sua vez, com uma casa de telhas francesas. “Buriti presta não”, costumava dizer, referindo-se aos telhados regionais feitos com a palha dessa palmeira, que, devido aos novos hábitos alimentares – leia-se sal e açúcar – tornavam-se o esconderijo/criatório escolhido por milhares de baratas infernizando a vida doméstica.
Sua morada, que achávamos por bem continuar chamando de “oca”, não passava de um triste e frágil casebre coberto de folhas de zinco, entulhado de molambos e trastes inúteis, o lixo cultural adquirido da sociedade envolvente, não tendo para eles grande importância e sim para os répteis e insetos que dali faziam seus pontos de proliferação.
Aceitavam como amigos, tutores ou anjos da guarda aqueles que devassavam e depredavam a terra indígena ainda não demarcada. Conviviam amistosamente com caçadores e pescadores vorazes, muitos vindos de longe no faro dos últimos tamanduás, tucanos e jaús, numa matança infernal a que eles, índios, entre a apatia e a perplexidade assistiam calados. Nunca, entretanto, demonstraram disposição para voltar à mata em busca da dignidade, da autonomia e do sossego perdidos; já traziam intransponível dependência da sociedade regional, etnocêntrica e perversa, mesmo assim arvorada em “aculturá-los”.
E fugir, para onde? Onde quer que se escondessem haveria um minério a ser garimpado por estranhos, uma fazenda a ser instalada, estradas ameaçando romper a aldeia, eventos que para eles jamais trouxeram qualquer benefício, e, de concreto, apenas o genocídio.
Como esperar uma reação libertadora daquela Nação mortalmente ferida, reduzida a quatro viventes, havendo travado seus primeiros contatos conosco somente nos anos 80, rendidos e traumatizados por nossa truculência emocional e tecnológica? Cabia-nos, evidentemente, garantir àquele pequeno grupo étnico o máximo de segurança para continuar vivo e conseguir transpor, com a força dos derradeiros resquícios culturais ainda mantidos, os grilhões da nova e sutil emboscada em que vieram a cair, porque o resto fazia parte de um passado cada vez mais remoto.
Hoje, a Terra Avá-Canoeiro, ainda distante da homologação, serve de palco para a festa das hidrelétricas. Terrenos fundamentais para roçados submergiram a imensos lagos artificiais, enquanto longos e perigosos corredores de fios de alta tensão vão multiplicando-se dentro da “reserva”. Tudo sem qualquer ressarcimento efetivo e honesto que busque minimizar tamanha e indesejável interferência no mundo e na vida dos índios atingidos. E eles também sobreviveram a essa realidade, porém, não se reproduziram mais. A quem, de sã consciência, ocorreria deixar para seus filhos uma herança dessas?"
Amigo Walter continuo dizendo:
... durante séculos o homem branco deixou como herança para o indígena uma grande solidão e um futuro incerto.
"Em vez de querer ensinar aos índios, o homem branco deveria ter a humildade para aprender com eles que o velho é o dono da história, o homem é o dono da aldeia e a criança é a dona do mundo".
Na minha pouca convivência com indígenas aprendi lições que me acompanharão sempre: de como o índio sabe conviver com a terra, o meio ambiente e com o próximo.
Embora se diferenciem no modo de falar , pintar o corpo e outros detalhes, os indígenas em todo planeta têm em comum o respeito pela criança, pelo velho e a vivência em grupo onde as decisões são coletivas.
Qual será o dia do índio, quando eles serão reconhecidos como a nação que tem lições para o homem que se diz civilizado e arrasa com a natureza?
Ano de 2009 e o homem branco continua com as ações impensadas contra o índigena e o meio ambiente.
O avanço da tecnologia e o capitalismo a cada dia mais empurram o índio, os bichos para um abismo sem volta.
Todos os dias devem ser lembradas as lições do krahô, do korubo e tantos outros que vivem ainda em pequenos torrões de terra amedrontados com um futuro que está nas mãos do homem branco.
Amanhã se comemora o dia do índio, e nada melhor para refletir sobre sua situação com o texto que transcrevo aqui do indigenista Walter Sanches:
"Os índios Avá-Canoeiro, habitantes da região de Serra da Mesa, norte goiano, compõem atualmente uma família de seis pessoas. Eram quatro, quando em julho de 1983 renderam-se aos fazendeiros locais. Perseguidos e dizimados, a sina dessa Etnia coloca hoje seus sobreviventes em circunstância atípica entre os demais e não menos aviltados povos indígenas brasileiros.
Em 1990, quando cheguei para trabalhar no Posto Indígena de Atração Avá-Canoeiro, encontrei-os – quatro adultos e duas crianças – comendo açúcar cristal em panelas de alumínio e bebendo óleo de soja em copos de vidro, deliciados com as recentes descobertas gastronômicas e das quais ainda não haviam assimilado a prudência do uso.
No posto da FUNAI existia um fogão à gás, e as mulheres, não raro, detinham-se diante dele, acariciando o bujão e sonhando ter um igual na “oca”. “Este fogo bonito, bom muito!” - murmuravam diante da chama azul. Iawí, único homem adulto do grupo (o outro era Trumak, seu filho, de 3 anos) sonhava, por sua vez, com uma casa de telhas francesas. “Buriti presta não”, costumava dizer, referindo-se aos telhados regionais feitos com a palha dessa palmeira, que, devido aos novos hábitos alimentares – leia-se sal e açúcar – tornavam-se o esconderijo/criatório escolhido por milhares de baratas infernizando a vida doméstica.
Sua morada, que achávamos por bem continuar chamando de “oca”, não passava de um triste e frágil casebre coberto de folhas de zinco, entulhado de molambos e trastes inúteis, o lixo cultural adquirido da sociedade envolvente, não tendo para eles grande importância e sim para os répteis e insetos que dali faziam seus pontos de proliferação.
Aceitavam como amigos, tutores ou anjos da guarda aqueles que devassavam e depredavam a terra indígena ainda não demarcada. Conviviam amistosamente com caçadores e pescadores vorazes, muitos vindos de longe no faro dos últimos tamanduás, tucanos e jaús, numa matança infernal a que eles, índios, entre a apatia e a perplexidade assistiam calados. Nunca, entretanto, demonstraram disposição para voltar à mata em busca da dignidade, da autonomia e do sossego perdidos; já traziam intransponível dependência da sociedade regional, etnocêntrica e perversa, mesmo assim arvorada em “aculturá-los”.
E fugir, para onde? Onde quer que se escondessem haveria um minério a ser garimpado por estranhos, uma fazenda a ser instalada, estradas ameaçando romper a aldeia, eventos que para eles jamais trouxeram qualquer benefício, e, de concreto, apenas o genocídio.
Como esperar uma reação libertadora daquela Nação mortalmente ferida, reduzida a quatro viventes, havendo travado seus primeiros contatos conosco somente nos anos 80, rendidos e traumatizados por nossa truculência emocional e tecnológica? Cabia-nos, evidentemente, garantir àquele pequeno grupo étnico o máximo de segurança para continuar vivo e conseguir transpor, com a força dos derradeiros resquícios culturais ainda mantidos, os grilhões da nova e sutil emboscada em que vieram a cair, porque o resto fazia parte de um passado cada vez mais remoto.
Hoje, a Terra Avá-Canoeiro, ainda distante da homologação, serve de palco para a festa das hidrelétricas. Terrenos fundamentais para roçados submergiram a imensos lagos artificiais, enquanto longos e perigosos corredores de fios de alta tensão vão multiplicando-se dentro da “reserva”. Tudo sem qualquer ressarcimento efetivo e honesto que busque minimizar tamanha e indesejável interferência no mundo e na vida dos índios atingidos. E eles também sobreviveram a essa realidade, porém, não se reproduziram mais. A quem, de sã consciência, ocorreria deixar para seus filhos uma herança dessas?"
Amigo Walter continuo dizendo:
... durante séculos o homem branco deixou como herança para o indígena uma grande solidão e um futuro incerto.
9 de janeiro de 2011
Meu curriculo
A MAGIA DE ESCREVER
Embora seja apaixonada por poesia, - a cada instante me nasce uma e assim sinto a vida crescendo, ficando longa, às vezes eterna...
Ler e escrever para mim é como respirar, viver, não poderia ficar sem. Os livros me vieram numa época distante, quando ainda eram proibidos (pela mãe), tive o privilégio de ser curiosa quanto à eles, driblando todos e lendo tudo que as mãos e os olhos alcançavam. Acredito que a vontade de ler era tanta, que misteriosamente eles me chegavam, como que atraídos.
Sempre quis incutir nas pessoas à minha volta o hábito da leitura. Diante disso fui registrando fatos corriqueiros, datilografando e passando para os vizinhos, parentes, e assim, achavam mais fácil que os poemas e liam com avidez, até mesmo quem radicalmente era contra queria soletrar os causos que eram próximos de sua realidade, de linguagem acessível; e inconscientemente adquiriam o hábito da leitura, nem que seja dos causos familiares à eles. Cobravam por mais e eu escrevia o esboço da vida de cada um, nascendo leitores e escritores que me mapeavam textos. Foram muitos textos e o contato com essas pessoas me fizeram crescer e viver mais.
Tenho o curso primário (4ª série ) incompleto, o que me vale é a curiosidade quanto aos livros, ao saber, à vida.
As palavras me entraram e ficaram como por milagre, assim como a poesia hoje nasce rápida, sem métodos e técnicas, também a escrita veio sorrateiramente como um veio d’água inundando a vida. É uma paixão pela palavra, pelo poema, levando os sonhos ao papel, e aí insisto, é mágico.
Referências
Causos e estórias 2 volumes pela UCG
terceira em edição
Poema em antologia –Ed Kelps Goiânia
Poema em Antologia – Ed Andes – DF
Cronista Oficial dos Encontros de Culturas da Chapada dos Veadeiros
Cronista do Overmundo site patrocinado pelo Ministério da Cultura www.overmundo.com.br
Pesquisa com os Krahôs Tocantins pela Universidade Federal de Goiás – FACOMB
Presidente da Comissão de Folclore da Região de Serra da Mesa – Comissão Folclore Estadual – Bariani Ortêncio
Pesquisadora para o Museu de Alto Horizonte
Livro em edição “Memórias de Serra da Mesa” (rascunho)
Coordenadora do Memorial Serra da Mesa
Embora seja apaixonada por poesia, - a cada instante me nasce uma e assim sinto a vida crescendo, ficando longa, às vezes eterna...
Ler e escrever para mim é como respirar, viver, não poderia ficar sem. Os livros me vieram numa época distante, quando ainda eram proibidos (pela mãe), tive o privilégio de ser curiosa quanto à eles, driblando todos e lendo tudo que as mãos e os olhos alcançavam. Acredito que a vontade de ler era tanta, que misteriosamente eles me chegavam, como que atraídos.
Sempre quis incutir nas pessoas à minha volta o hábito da leitura. Diante disso fui registrando fatos corriqueiros, datilografando e passando para os vizinhos, parentes, e assim, achavam mais fácil que os poemas e liam com avidez, até mesmo quem radicalmente era contra queria soletrar os causos que eram próximos de sua realidade, de linguagem acessível; e inconscientemente adquiriam o hábito da leitura, nem que seja dos causos familiares à eles. Cobravam por mais e eu escrevia o esboço da vida de cada um, nascendo leitores e escritores que me mapeavam textos. Foram muitos textos e o contato com essas pessoas me fizeram crescer e viver mais.
Tenho o curso primário (4ª série ) incompleto, o que me vale é a curiosidade quanto aos livros, ao saber, à vida.
As palavras me entraram e ficaram como por milagre, assim como a poesia hoje nasce rápida, sem métodos e técnicas, também a escrita veio sorrateiramente como um veio d’água inundando a vida. É uma paixão pela palavra, pelo poema, levando os sonhos ao papel, e aí insisto, é mágico.
Referências
Causos e estórias 2 volumes pela UCG
terceira em edição
Poema em antologia –Ed Kelps Goiânia
Poema em Antologia – Ed Andes – DF
Cronista Oficial dos Encontros de Culturas da Chapada dos Veadeiros
Cronista do Overmundo site patrocinado pelo Ministério da Cultura www.overmundo.com.br
Pesquisa com os Krahôs Tocantins pela Universidade Federal de Goiás – FACOMB
Presidente da Comissão de Folclore da Região de Serra da Mesa – Comissão Folclore Estadual – Bariani Ortêncio
Pesquisadora para o Museu de Alto Horizonte
Livro em edição “Memórias de Serra da Mesa” (rascunho)
Coordenadora do Memorial Serra da Mesa
MOMENTOS
A rua repleta de gente desperta para a realidade de uma multidão de pessoas que falam línguas estranhas, indiferentes ao pequeno, ligadas às futilidades esquecendo, sobretudo a vida...
O carroceiro levanta forte o chicote, o esqueleto magro do cavalo sobe a avenida puxando a carroça de areia, ele tem alma que o carroceiro não vê...
O pequeno engraxate entra e sai das lojas comerciais, seu rosto criança corre atrás de dinheiro e até mente dizendo que só engraxa no final de semana... O que ele esconde por trás dos olhinhos tristes? Não é só ir para o Muquém...
O bêbado é dono da rua, disfarça sua dor na embriaguez, só assim ele é maior e eterno...O cachorro faminto o segue em círculos...
Volto pra casa cansada de tudo e ao chegar escuto o gemido do córrego que insiste em correr fugindo do lixo, dos esgotos e do homem...
O calor é insuportável, minha dor é maior... O vento carrega o mau cheio do esgoto, enxuga as lágrimas e foge rápido para não testemunhar a imbecilidade do homem...
Minha casa é grande demais hoje, porém não cabe as lágrimas...
Consulto o espelho e ele mostra as olheiras que refletem os anos, o cansaço e a solidão...
Escrevo, brigo, denuncio para fazer um mundo melhor; mas quando tento encontrar o outro dou de cara comigo só, muito só...
O carroceiro levanta forte o chicote, o esqueleto magro do cavalo sobe a avenida puxando a carroça de areia, ele tem alma que o carroceiro não vê...
O pequeno engraxate entra e sai das lojas comerciais, seu rosto criança corre atrás de dinheiro e até mente dizendo que só engraxa no final de semana... O que ele esconde por trás dos olhinhos tristes? Não é só ir para o Muquém...
O bêbado é dono da rua, disfarça sua dor na embriaguez, só assim ele é maior e eterno...O cachorro faminto o segue em círculos...
Volto pra casa cansada de tudo e ao chegar escuto o gemido do córrego que insiste em correr fugindo do lixo, dos esgotos e do homem...
O calor é insuportável, minha dor é maior... O vento carrega o mau cheio do esgoto, enxuga as lágrimas e foge rápido para não testemunhar a imbecilidade do homem...
Minha casa é grande demais hoje, porém não cabe as lágrimas...
Consulto o espelho e ele mostra as olheiras que refletem os anos, o cansaço e a solidão...
Escrevo, brigo, denuncio para fazer um mundo melhor; mas quando tento encontrar o outro dou de cara comigo só, muito só...
30 de novembro de 2010
Mãe e o abraço no tempo
O vento balança os galhos,
Balança os pássaros da noite
E meus cabelos sonâmbulos.
Faz muito frio agora...
Véspera do dia das mães.
A noite é longa de imagens saudosas.
Os dias passaram,
Os filhos cresceram
Sem que eu percebesse que ficava só...
Onde estão meus meninos?
As camas estão vazias na mente,
A casa é grande e escura,
Meu abraço não os cobre mais,
São homens agora...
O frio aumenta a lembrança.
Abro os braços na tentativa
De voltar no tempo.
O vento insiste, sacode tudo, até a alma...
Aumenta a saudade e fico só...
com o frio e os braços abertos,
na longa noite sem abraço...
Balança os pássaros da noite
E meus cabelos sonâmbulos.
Faz muito frio agora...
Véspera do dia das mães.
A noite é longa de imagens saudosas.
Os dias passaram,
Os filhos cresceram
Sem que eu percebesse que ficava só...
Onde estão meus meninos?
As camas estão vazias na mente,
A casa é grande e escura,
Meu abraço não os cobre mais,
São homens agora...
O frio aumenta a lembrança.
Abro os braços na tentativa
De voltar no tempo.
O vento insiste, sacode tudo, até a alma...
Aumenta a saudade e fico só...
com o frio e os braços abertos,
na longa noite sem abraço...
ENTREVISTA SOBRE O MEMORIAL SERRA DA MESA
ENTREVISTA PARA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS DE URUAÇU, CURSO DE HISTÓRIA, ACADEMICA JOSIANE DAS GRAÇAS ADORNO PARA UMA MONOGRAFIA SOBRE O MEMORIAL SERRA DA MESA
1 – Como foi seu primeiro contato com a idéia sobre a construção do Memorial Serra da Mesa e qual foi nesse momento inicial a sua relação com esse grande projeto?
Meu primeiro contato com a idéia de preservação da cultura e da história vem de longa data. Desde menina me interessei pelas histórias dos mais velhos e das cidades e assim sempre escrevi registrando a realidade das pessoas de classe baixa, da qual também faço parte. Através de uma ex-patroa e amiga (Veronica Aldé), esses manuscritos foram para Universidade Católica de Goiás, atual PUC e o professor Altair Sales Barbosa como diretor do ITS autorizou a publicação de uma revista de causos.
O lançamento da revista de causos foi na cidade de Uruaçu no hotel Flamboyant dia 24 de novembro de 2004 e contou com a presença maciça de uruaçuenses e autoridades locais. Nesse evento a Prefeita na época, Marisa P Araujo ficou conhecendo a equipe do ITS, inclusive o professor Altair e conversaram sobre o que poderia ser feito para minimizar os impactos ambientais causados com a construção do Lago de Serra da Mesa e a idéia do professor Altair foi a construção de um Memorial que contasse toda história da região de Serra da Mesa, nesse dia então nasceu a idéia do Memorial Serra da Mesa.
Começou então a árdua tarefa de se conseguir recursos financeiros, material histórico para efetuar o projeto feito pelo ITS. A Prefeitura em parceria com UCG buscou recursos nos Ministérios, Furnas, CEF, Banco do Brasil e algumas emendas parlamentares. A Pedra Fundamental foi lançada em 2006 e o Memorial foi inaugurado em 26 de setembro de 2008.
2- Quem, no seu ponto de vista foi o maior incentivador (a) deste projeto e quais eram suas justificativas para se fazer um Memorial desse porte nesse lugar?
No meu ponto de vista o Memorial existe por uma idéia do professor Altair que foi acatada pela prefeita Marisa que com muita garra lutaram para que o projeto se concretizasse. Porem várias pessoas dedicaram de corpo alma a esse projeto como o arquiteto Louis Bernard Tranquilin, o geólogo Alan Kardec, a musicista Veronica Aldé, o professor Hidasi com animais taxidermados e eu com uma pesquisa séria querendo que esse Memorial existisse e fosse concretamente a alma da região.
3- O que é o Memorial Serra da Mesa para você? Da pesquisa que você realizou, da coleta de materiais que hoje faz parte do acervo do Memorial e nesse processo de coleta e pesquisa à montagem da instituição guardiã, como você definiria hoje o sentido do seu trabalho? E diante desse mesmo processo no qual você é pioneira na região, como definiria hoje o Memorial como instituição cultural localizada, acha que o turismo cultural agregado ao Memorial será suficiente para preservar a sua pesquisa e, mais ainda preservar a memória do lugar?
O sentido do meu trabalho está na mudança de atitudes que posso testemunhar desde a construção até os dias atuais na rotina do Memorial Serra da Mesa. Professor Altair trouxe seus conhecimentos, suas pesquisas sobre o bioma cerrado e enriqueceu o museu. A coleta que fiz do acervo trouxe uma pesquisa aprofundada do modo de vida do homem do cerrado ou seja da região de Serra da Mesa. A convivência com os doadores enriqueceu meu modo de ser, de pensar e até de viver e agora no Memorial isso pode ser transmitido a milhares de pessoas. Hoje o Memorial é uma das maiores instituições culturais do norte goiano e freqüentado por pessoas de todas as partes do mundo, o que pode ser comprovado no livro de visitas. Então hoje esse espaço se consolida como o atrativo turístico cultural mais bem freqüentado da região. Todos os grupos que o visitam, têm comprovadamente mudanças de atitudes quanto à preservação da história, do meio ambiente e até para consigo mesmo. A visita guiada é a oportunidade de reflexão única, até mesmo alunos que são tidos como displicentes, nos espaços temáticos do Memorial eles participam e seus depoimentos são arquivados como exemplos para as futuras gerações.
4- Descreva-nos como você percebe cada um dos espaços internos que compõem o Memorial
O Memorial é espaço para reflexão desde a pedra fundamental, cujo propósito é ser aberta de 100 em 100 anos, só isso já deixa claro ao visitante que a vida vai muito alem dos poucos anos aqui vividos, o que é comprovado na seqüência com a amostra de arvores fossilizadas com aproximadamente 240 milhões de anos. O Museu mostra desde o tempo geológico quando só existiam as rochas e numa seqüência histórica leva o visitante a uma viagem pelo tempo refletindo sobre a formação do cerrado, dos indígenas e seus costumes, a do homem e do progresso conscientizando para a degradação do meio ambiente, principalmente a água. Os outros espaços dão continuidade à essa reflexão onde o visitante aprecia o passado comparando ao presente e assim se colocando como ser responsável pelo equilíbrio da vida na terra.
5 – Como você percebe esse projeto turístico cultural hoje? O projeto atende sua pretensão? O projeto é amparado por quais instituições? Quantos funcionários ele mantem? Sua manutenção é estável?
Atualmente esse projeto está apenas no inicio, o Memorial é um local de pesquisa contínua e necessita de toda a comunidade para atender sua pretensão. Hoje contamos com a parceria da UEG Uruaçu, UNB DF, FASEM Uruaçu e ITS_PUC com estagiários e técnicos que participam auxiliando no dia a dia do Memorial. O numero de funcionários é escasso para o tamanho do empreendimento, mas mesmo assim o espaço está limpo e bem cuidado e bastante visitado. O acervo aumentou em mais de 200 peças no ano de 2009 e a formação de profissionais é continua através do Ponto de Cultura do programa Cultura Viva. Temos 5 eventos no ano, todos com grande público de várias c cidades. Temos artistas filhos do Memorial e várias manifestações culturais já desaparecidas que foram resgatadas e são transmitidas nas escolas e nos eventos, enfim, somos reconhecidos em todo o mundo.
6-Quais são os nomes que você citaria que jamais poderiam ser esquecidos no que se refere a construção do Memorial Serra da Mesa? Por que?
Os nomes que poderia citar aqui dariam uma lista enorme e poderia ficar alguém de fora. Considero importante lembrar que sem a idéia do professor Altair e sem o empenho da prefeita Marisa o projeto não existiria. Eu trabalhei muito, mas não teria força política para isso. Somente um órgão público, uma prefeita que pensasse em cultura e um cérebro privilegiado como do professor Altair Sales Barbosa poderiam fazer surgir um monumento de tamanha grandeza. Mas confesso que a alma que esse monumento possui tem muito das doações, das histórias que recebi do povo de Serra da Mesa; uma alma que engloba os causos do Caxá, a benzeçao da dona Izabel, a voz dos foliões, as memórias do Ze Gomes Guarani, do seu Antonio da Colher de Pau, do Seu Chico de Trairas, do Vozinho de Porangatu e de tantos outros que participaram da minha pesquisa que nada mais era que uma busca no tempo pela preservação da história e do meio ambiente.
1 – Como foi seu primeiro contato com a idéia sobre a construção do Memorial Serra da Mesa e qual foi nesse momento inicial a sua relação com esse grande projeto?
Meu primeiro contato com a idéia de preservação da cultura e da história vem de longa data. Desde menina me interessei pelas histórias dos mais velhos e das cidades e assim sempre escrevi registrando a realidade das pessoas de classe baixa, da qual também faço parte. Através de uma ex-patroa e amiga (Veronica Aldé), esses manuscritos foram para Universidade Católica de Goiás, atual PUC e o professor Altair Sales Barbosa como diretor do ITS autorizou a publicação de uma revista de causos.
O lançamento da revista de causos foi na cidade de Uruaçu no hotel Flamboyant dia 24 de novembro de 2004 e contou com a presença maciça de uruaçuenses e autoridades locais. Nesse evento a Prefeita na época, Marisa P Araujo ficou conhecendo a equipe do ITS, inclusive o professor Altair e conversaram sobre o que poderia ser feito para minimizar os impactos ambientais causados com a construção do Lago de Serra da Mesa e a idéia do professor Altair foi a construção de um Memorial que contasse toda história da região de Serra da Mesa, nesse dia então nasceu a idéia do Memorial Serra da Mesa.
Começou então a árdua tarefa de se conseguir recursos financeiros, material histórico para efetuar o projeto feito pelo ITS. A Prefeitura em parceria com UCG buscou recursos nos Ministérios, Furnas, CEF, Banco do Brasil e algumas emendas parlamentares. A Pedra Fundamental foi lançada em 2006 e o Memorial foi inaugurado em 26 de setembro de 2008.
2- Quem, no seu ponto de vista foi o maior incentivador (a) deste projeto e quais eram suas justificativas para se fazer um Memorial desse porte nesse lugar?
No meu ponto de vista o Memorial existe por uma idéia do professor Altair que foi acatada pela prefeita Marisa que com muita garra lutaram para que o projeto se concretizasse. Porem várias pessoas dedicaram de corpo alma a esse projeto como o arquiteto Louis Bernard Tranquilin, o geólogo Alan Kardec, a musicista Veronica Aldé, o professor Hidasi com animais taxidermados e eu com uma pesquisa séria querendo que esse Memorial existisse e fosse concretamente a alma da região.
3- O que é o Memorial Serra da Mesa para você? Da pesquisa que você realizou, da coleta de materiais que hoje faz parte do acervo do Memorial e nesse processo de coleta e pesquisa à montagem da instituição guardiã, como você definiria hoje o sentido do seu trabalho? E diante desse mesmo processo no qual você é pioneira na região, como definiria hoje o Memorial como instituição cultural localizada, acha que o turismo cultural agregado ao Memorial será suficiente para preservar a sua pesquisa e, mais ainda preservar a memória do lugar?
O sentido do meu trabalho está na mudança de atitudes que posso testemunhar desde a construção até os dias atuais na rotina do Memorial Serra da Mesa. Professor Altair trouxe seus conhecimentos, suas pesquisas sobre o bioma cerrado e enriqueceu o museu. A coleta que fiz do acervo trouxe uma pesquisa aprofundada do modo de vida do homem do cerrado ou seja da região de Serra da Mesa. A convivência com os doadores enriqueceu meu modo de ser, de pensar e até de viver e agora no Memorial isso pode ser transmitido a milhares de pessoas. Hoje o Memorial é uma das maiores instituições culturais do norte goiano e freqüentado por pessoas de todas as partes do mundo, o que pode ser comprovado no livro de visitas. Então hoje esse espaço se consolida como o atrativo turístico cultural mais bem freqüentado da região. Todos os grupos que o visitam, têm comprovadamente mudanças de atitudes quanto à preservação da história, do meio ambiente e até para consigo mesmo. A visita guiada é a oportunidade de reflexão única, até mesmo alunos que são tidos como displicentes, nos espaços temáticos do Memorial eles participam e seus depoimentos são arquivados como exemplos para as futuras gerações.
4- Descreva-nos como você percebe cada um dos espaços internos que compõem o Memorial
O Memorial é espaço para reflexão desde a pedra fundamental, cujo propósito é ser aberta de 100 em 100 anos, só isso já deixa claro ao visitante que a vida vai muito alem dos poucos anos aqui vividos, o que é comprovado na seqüência com a amostra de arvores fossilizadas com aproximadamente 240 milhões de anos. O Museu mostra desde o tempo geológico quando só existiam as rochas e numa seqüência histórica leva o visitante a uma viagem pelo tempo refletindo sobre a formação do cerrado, dos indígenas e seus costumes, a do homem e do progresso conscientizando para a degradação do meio ambiente, principalmente a água. Os outros espaços dão continuidade à essa reflexão onde o visitante aprecia o passado comparando ao presente e assim se colocando como ser responsável pelo equilíbrio da vida na terra.
5 – Como você percebe esse projeto turístico cultural hoje? O projeto atende sua pretensão? O projeto é amparado por quais instituições? Quantos funcionários ele mantem? Sua manutenção é estável?
Atualmente esse projeto está apenas no inicio, o Memorial é um local de pesquisa contínua e necessita de toda a comunidade para atender sua pretensão. Hoje contamos com a parceria da UEG Uruaçu, UNB DF, FASEM Uruaçu e ITS_PUC com estagiários e técnicos que participam auxiliando no dia a dia do Memorial. O numero de funcionários é escasso para o tamanho do empreendimento, mas mesmo assim o espaço está limpo e bem cuidado e bastante visitado. O acervo aumentou em mais de 200 peças no ano de 2009 e a formação de profissionais é continua através do Ponto de Cultura do programa Cultura Viva. Temos 5 eventos no ano, todos com grande público de várias c cidades. Temos artistas filhos do Memorial e várias manifestações culturais já desaparecidas que foram resgatadas e são transmitidas nas escolas e nos eventos, enfim, somos reconhecidos em todo o mundo.
6-Quais são os nomes que você citaria que jamais poderiam ser esquecidos no que se refere a construção do Memorial Serra da Mesa? Por que?
Os nomes que poderia citar aqui dariam uma lista enorme e poderia ficar alguém de fora. Considero importante lembrar que sem a idéia do professor Altair e sem o empenho da prefeita Marisa o projeto não existiria. Eu trabalhei muito, mas não teria força política para isso. Somente um órgão público, uma prefeita que pensasse em cultura e um cérebro privilegiado como do professor Altair Sales Barbosa poderiam fazer surgir um monumento de tamanha grandeza. Mas confesso que a alma que esse monumento possui tem muito das doações, das histórias que recebi do povo de Serra da Mesa; uma alma que engloba os causos do Caxá, a benzeçao da dona Izabel, a voz dos foliões, as memórias do Ze Gomes Guarani, do seu Antonio da Colher de Pau, do Seu Chico de Trairas, do Vozinho de Porangatu e de tantos outros que participaram da minha pesquisa que nada mais era que uma busca no tempo pela preservação da história e do meio ambiente.
Assinar:
Postagens (Atom)




